
Recordes históricos e tempestade nos mercados: como manter a calma neste verão
Um verão diferente de todos
Olá a todos! Este resumo de sábado sai em modo verão, mas sem perder a regularidade, pelo contrário. Este ano, mudo um pouco as regras: mais conteúdos, mais agilidade, e uma dinâmica que continua mesmo em pleno verão. Se estiveres a ler isto numa manhã de sábado, é porque decidi ir contra o habitual e trazer esta análise em cima do acontecimento, mesmo a tempo do fim de semana. Também aproveito para lembrar-te de te inscreveres, ativar o sino, porque amanhã — e não é todos os dias! — haverá um convidado inédito no canal, para analisarmos juntos uma notícia que mexeu com os mercados: os números da inflação nos EUA.
Inflação americana: o frágil equilíbrio
Não podíamos começar este resumo sem mencionar o número da inflação americana publicado esta semana. Um pequeno banho de água fria: a inflação saiu a 2,7% contra 2,6% esperado. Não é dramático, mas é suficiente para reacender especulações sobre as decisões do Fed. Nesse contexto, é difícil imaginar uma descida dos juros em julho. Aliás, a próxima reunião do Fed está marcada para 30 de julho e, mesmo havendo vários prazos até ao final do ano, a hipótese de três cortes vai ficando mais distante. Os mercados já tinham incorporado muita coisa, mas este valor veio baralhar as cartas.
De qualquer forma, houve uma nota de otimismo: o índice de preços ao produtor saiu melhor do que o esperado em junho. Apesar dos números do mês anterior terem sido bastante revistos em alta, pelo menos não houve nova aceleração dos preços neste momento. Talvez seja sinal de que a dinâmica inflacionária começou finalmente a arrefecer.
Recordes em Wall Street: a época dos resultados
Esta semana, a macroeconomia foi marcada por uma chuva de estatísticas e também por resultados empresariais aguardados com expectativa. Do lado americano, as vendas a retalho surpreenderam positivamente, com um avanço de 0,6% contra 0,1% esperado. Bastou para empurrar o S&P 500 e o Nasdaq para novos máximos históricos.
Ao mesmo tempo, a época de resultados está a todo vapor. O JP Morgan tranquilizou, com resultados sólidos e reação positiva do mercado. Por outro lado, o Wells Fargo levou um verdadeiro tombo, a perder mais de 5% numa sessão — não por maus resultados, mas porque as perspetivas anunciadas não convenceram. Isto lembra como os mercados penalizam rapidamente qualquer desilusão, apesar de, numa perspetiva mais abrangente, a tendência dos grandes bancos americanos ainda ser positiva. O destaque da semana nas empresas foi a divulgação da TSMC, gigante taiwanesa de semicondutores e fornecedor-chave da Nvidia. As expectativas eram altas: os resultados deixaram o mercado tranquilo (+3,5% para a ação), o que antecipa uma boa publicação para a Nvidia em agosto.
Estratégia de verão: vigilância e gestão ativa
Verão não é sinónimo de pausa nos mercados. Mesmo longe dos ecrãs, ainda há decisões e oportunidades, especialmente nos EUA, onde a dinâmica continua muito positiva. Desde que os índices se mantenham acima dos suportes técnicos — médias móveis de 20 e 50 dias — não há sinal de fraqueza relevante. O Dow Jones segue em alta, embora fique um pouco atrás do S&P 500 e do Nasdaq, que batem recordes. Até as pequenas empresas americanas (Russell 2000) mantêm a trajetória, sinal de que a tendência de fundo se mantém forte.
Neste ambiente, o segredo é disciplina: não adianta tentar antecipar inversão sem sinais. É preciso seguir a tendência do mercado, tratar as fases de consolidação como oportunidades e, acima de tudo, não reagir demais a cada notícia, rumor ou tweet polêmico, como aquele que agitou esta semana sobre uma possível demissão de Jerome Powell por Donald Trump. Esse tipo de ruído pode provocar movimentos bruscos, mas no fundo a estratégia segue igual: manter-se fiel aos planos, aos níveis-chave e não ceder à emoção.
Europa: faixa interminável e espera
Enquanto Wall Street está em ebulição, a Europa fica um pouco para trás. O CAC 40, em especial, está há meses preso entre 7 700 e 7 900 pontos. Não consegue sair e cada tentativa acaba por voltar sempre ao mesmo ponto. Está exatamente no meio do canal, em 7 800 no momento em que escrevo, sem grande convicção. A única estratégia que parece funcionar neste contexto é comprar no fundo da faixa e vender no topo, sem esperar grandes subidas.
Já o DAX mantém-se acima das médias móveis e arrisca alguns máximos históricos, mas a dinâmica é bem menos explosiva que nos EUA. O velho continente tem dificuldade em acompanhar o ritmo e o desfasamento cresce a cada semana.
Ouro, dólar, commodities: paciência e referências
O mercado do ouro oscila num intervalo estreito há três meses. Enquanto os preços se mantiverem entre 3 280 e 3 445 não há novidades. A tendência principal é positiva, mas ainda não é hora de acelerar. O dólar tenta um rebote técnico face às principais moedas, mas o fundo ainda é de pressão descendente. Nas commodities, continuo a privilegiar platina, paládio, ouro e prata — sempre com lógica de gestão ativa e oportunidades faseadas. Cada aceleração é uma ocasião para realizar parte dos lucros e nunca esquecer de proteger o portfólio.
Forex: disciplina e timing
O euro/dólar permanece sob vigilância, em especial depois dos últimos dados de inflação dos EUA. Assumi posição vendida abaixo de 1,1660, com objetivos progressivos e gestão rigorosa do risco. Neste contexto, a chave é definir alertas, deixar o mercado respirar e não ceder à tentação de estar colado no ecrã. Gestão ativa não é hiperatividade, mas sim rigor e paciência.
Cripto: o barulho está de volta — manter a cabeça fria
No mercado cripto, a euforia voltou, trazendo uma enxurrada de comentários, pseudo-especialistas e novos “convertidos” que há dois meses tinham abandonado o setor. Repito: não é porque as previsões altistas se multiplicam que é hora de relaxar. Normalmente, é o contrário: quanto mais se fala, mais disciplina é necessária.
Esta semana reduzi posições em ativos como o ETC, que subiu 20% em dois dias. Não é altura nem de se deixar levar nem de vender tudo, mas sim de aplicar gestão ativa e progressiva. O mesmo para Ethereum: tenho objetivos ambiciosos, mas cuido de proteger quando o mercado oferece pontos de saída favoráveis. O importante não é seguir a multidão, mas respeitar os próprios planos, entradas, saídas e adaptar a exposição à volatilidade e tendência.
Agenda da próxima semana
Na próxima semana espera-se maior calma a nível macroeconómico. Poucos dados relevantes, à exceção dos PMIs de quinta-feira (é preciso relativizar, são inquéritos, não dados brutos). O BCE fará declarações, o que pode provocar algum movimento nas bolsas europeias. No mundo corporativo, continua a época de resultados, com destaques como Verizon, SAP, Coca Cola, Alphabet, Tesla, Intel… Também aqui, a lógica mantém-se: vigilância, gestão ativa e adaptação.
Comunidade, ofertas e modo verão
Para terminar, uma palavra sobre a comunidade IVT: lançámos uma oferta especial de verão, sem data final mas com vagas limitadas. Agora restam cerca de 170 vagas. Se quiseres juntar-te a nós — para evoluir, encontrar um quadro ou trocar ideias com apaixonados — agora é a tua oportunidade. Assim que o limite for atingido, termina — por isso, não demores.
Conclusão: disciplina, lucidez e modo verão
Obrigado a todos pela fidelidade, feedback e partilhas. Encontramo-nos amanhã, às 10h, para um programa especial com convidado, e claro, ao longo da semana, para seguirmos de perto a evolução dos mercados. Aproveita o fim de semana se puderes e, para quem trabalha como eu no verão, manter o rumo. Nos mercados, mais do que nunca, é preciso manter a cabeça fria, ser disciplinado e saber adaptar-se.
Até breve,
Xavier Fenaux
19 de julho de 2025