A economia desacelera... mas o mercado não liga (por enquanto) - Como lidar com críticas?
Nesta quinta-feira, 5 de junho de 2025, às 10h, compartilho minha análise sobre um dia especialmente repleto de eventos macroeconômicos. Entre os decepcionantes números do emprego americano de ontem e a tão aguardada decisão do BCE hoje, percebo que os mercados financeiros operam em um ambiente complexo, mas notavelmente resiliente.
Minha análise técnica revela mercados que mantêm seus "bonés verdes", apesar de fundamentos econômicos preocupantes. Essa dicotomia entre realidade econômica e sentimento do mercado é um dos fenômenos mais interessantes que observo atualmente para minhas estratégias de trading e investimento.
Números do emprego americano: um alerta que acompanho de perto
ADP: uma decepção histórica que muda tudo
Ontem, recebemos os números do ADP do setor privado americano e, sinceramente, é um verdadeiro desastre. Apenas 37 mil empregos criados contra 110 mil esperados, o pior número em dois anos. Não hesito em dizer que esses resultados são "nojentos"—perdoe o palavreado, mas é exatamente o que esses dados representam.
Esse desempenho decepcionante se explica por diversos fatores que analiso de perto: tensões comerciais persistentes, guerras comerciais que geram incerteza e, principalmente, a extrema cautela das empresas diante da falta de visibilidade econômica. As taxas de juros altas, mesmo que tenham relaxado um pouco nas últimas duas semanas, ainda pesam nas decisões de contratação.
ISM serviços: confirmação dos meus receios econômicos
O segundo dado ruim que notei foi o ISM dos serviços, que ficou abaixo do limiar crucial de 50 pontos pela primeira vez em um ano. Essa contração confirma minhas observações sobre a desaceleração econômica americana. As empresas enfrentam aumento de custos, queda de novos pedidos e, sobretudo, falta de visibilidade que as leva à cautela.
Isso me lembra o ISM industrial do começo da semana, que também ficou em 48,5 ante 49,3 esperado. Todos esses indicadores desenham um cenário econômico preocupante, que acompanho atentamente para definir minhas estratégias de investimento.
Minha leitura do "good news, bad news is good news"
Paradoxalmente, observo que o mercado adota o princípio do "good news, bad news is good news". Se os números econômicos são ruins, isso pode incentivar Jerome Powell e o Fed a cortar os juros mais rapidamente. Aliás, admiro a inteligência de Powell, que guardou munição e não se rendeu de imediato às pressões de Trump, mantendo a independência do Fed.
Essa estratégia hoje dá margem de manobra ao banco central americano. Vale dizer que as expectativas de corte de juros caíram de quatro previstas no início do ano para apenas duas agora, o que parece mais realista no contexto atual.
Minha visão atual dos índices: resiliência com prudência
Índices americanos: meus patamares de atenção
Mantenho minha classificação de "boné verde" para os principais índices americanos, mesmo que pessoalmente não queira comprar nesses níveis tão altos. Estes são meus níveis atuais:
S&P 500: Observo o nível de 5.940 pontos como suporte principal. Enquanto estivermos acima desse número, a polaridade segue positiva conforme minha análise técnica.
Nasdaq: O patamar-chave é 21.500 pontos. O índice segue sustentado pelos papéis de tecnologia e pelo otimismo em torno da IA, principalmente após os bons resultados da Nvidia.
Dow Jones: Aqui noto uma fraqueza relativa. O nível de polaridade é 42.350 pontos e estamos girando por volta de 42.400. Desde 12 de maio, estamos estagnados nesse patamar.
Índices internacionais: observações contrastantes
Nikkei japonês: polaridade negativa abaixo de 37.800 pontos, e coloco alerta de fraqueza na faixa de 37.400-37.450 pontos. O cenário dos leilões de títulos japoneses me preocupa, embora o mercado ainda não preste atenção a isso. No YouTube, você encontra meu vídeo completo sobre esse tema—procure por "Japão IVT".
CAC 40: completamente parado há um mês em torno dos 7.800 pontos. Não movimento nada nesse índice há semanas.
DAX: mais forte que seus pares europeus, mantém melhor seus níveis técnicos.
Tesla: minha gestão ativa numa posição emblemática
Ontem, a Tesla perdeu 3,5%; nada surpreendente já que eu tinha reduzido minha posição por volta dos 340 dólares um mês atrás. Estamos oscilando entre 330 e 360 dólares, exatamente no intervalo que antecipei.
Meu histórico de operações com Tesla
Minha estratégia com Tesla ilustra perfeitamente a filosofia de gestão ativa. Comecei a acumular entre 160 e 180 dólares no início de 2024. Quando o papel triplicou chegando a 450 dólares, fui realizando lucros aos poucos.
Depois, quando ninguém queria a 220-270 dólares, recomprei duas vezes. Desde então, o papel valorizou 60% em um mês. Esse estilo contracorrente funciona a longo prazo.
Minha estratégia atual com Tesla
Agora aguardo pelo menos 450 dólares para eventualmente reduzir ainda mais. Sigo com metade da exposição inicial. Continuo operando dentro desse grande intervalo que temos desde 2021, entre 160 e 400 dólares.
BCE e eventos do dia: minha expectativa
Decisão do BCE: corte esperado, mas foco é no discurso
Hoje, às 14h15, o BCE vai cortar os juros conforme esperado: de 2,40% para 2,15%. O mercado já precificou, então não espero grandes movimentos.
O que realmente me interessa é a coletiva de imprensa de Christine Lagarde às 14h45. Seu discurso e a sessão de perguntas e respostas definirão o tom para as próximas decisões de política monetária europeia.
IPO da Circle: uma estreia para ficar de olho
Hoje também marca o início da negociação das ações da Circle (código CRCL na NYSE), pós-IPO a 31 dólares. É uma oferta importante no ecossistema cripto que acompanharei de perto.
Minhas posições atuais: ouro, cripto e seletividade
Ouro: minha convicção permanece
Mantenho minhas posições compradas em ouro. Estamos nos topos da semana, o que confirma minha estratégia de diversificação com esse ativo de proteção.
Petróleo: mercado sem direção clara
O petróleo segue me decepcionando com suas oscilações sem rumo. Desde abril, estamos no mesmo ponto, entre 60 e 66 dólares. No momento, pouca coisa a fazer por aqui.
Euro/dólar: sigo com cautela
No EUR/USD sigo vendendo na faixa de 1,14–1,15, mas sem tomar grandes decisões. A pressão vendedora sobre o dólar americano me deixa cauteloso. Não antecipo uma alta relevante por agora.
Criptomoedas: estratégia Total3 e gestão de força/fraqueza
Minha análise do padrão Total3: um achado que venho aprimorando
Continuo acompanhando a configuração Total3 que desenvolvi, que vem se mostrando muito precisa. Ontem fiz um resumo cripto completo, que vou transformar em podcast para quem não está no YouTube.
Permaneço comprado calmamente, e até comecei a aumentar gradualmente minha exposição no início da semana, preferencialmente nas criptos mais fortes.
Minha classificação atual: fortes x fracas
Criptos fortes (acima da MM50 diária):
- Ethereum (ETH): mantenho posições com confiança
- Avalanche (AVAX): excelente momentum técnico
- Binance Coin (BNB): muito forte, ainda que eu já tenha reduzido
Criptos fracas (abaixo da MM50 diária):
- Solana (SOL): tentei operar de novo, mas não deu certo. Não "sinto" o mercado—como sempre digo, não é questão de sentir, mas de método.
Meu método: médias móveis como referência
Respondo a um comentário recebido de "DubMat5055" criticando meu uso de médias móveis, dizendo que "sempre atrasam em relação ao candle". É como dizer "choveu, molhou"—é exatamente esse o princípio de uma média móvel!
As médias móveis não fazem o preço subir ou cair. Elas servem para identificar tendências e áreas de força ou fraqueza. Em cripto, são referência visual rápida: acima = força, abaixo = fraqueza.
Quando estou em Ethereum ou Avalanche (fortes), eles performam melhor: sobem mais quando o mercado sobe e caem menos nas quedas. Não é mágica, é estatística.
Filosofia do trading: lições do esporte de alto nível
Inspiração dos campeões: além da aparência
Busco muita inspiração em entrevistas com atletas de alto rendimento. Recentemente ouvi Florent Manaudou dizer que nunca gostou muito de nadar. Georges St-Pierre, campeão de MMA, admite que não gosta de lutar, mas é apaixonado pelo aspecto técnico e pelo autodesafio.
No trading é a mesma coisa. O objetivo não é só ganhar dinheiro (apesar de ser o objetivo, como vencer no esporte), é ir além: disciplina, método, melhora contínua.
Minha disciplina diária: estar presente, aconteça o que acontecer
Por isso estou aqui toda manhã, tentando te fazer seguir junto comigo. Às vezes não tenho vontade, às vezes o mercado não traz nada interessante, mas constância e disciplina são mais importantes que o humor do momento.
Assim como atletas treinam mesmo sem vontade, mantenho minha rotina de análise mesmo quando o mercado está parado. Regularidade faz diferença no longo prazo.
Gestão psicológica: críticas e ruído de fundo
Minha reação a comentários negativos
Quero comentar uma crítica negativa que recebi ontem—não para reclamar, mas para ilustrar como é importante lidar com o "ruído" na jornada de trader ou investidor.
Alguém que não me conhece escreveu que minhas técnicas não valem nada e que eu deveria me repensar. Minha reação imediata: posso tirar algo construtivo disso? Absolutamente nada.
Minha filosofia diante das críticas
Aplico um princípio simples: nunca se é criticado por alguém melhor que você. Nunca. Se chega uma crítica destrutiva, é alguém tentando te puxar para baixo e que já está embaixo. Ou seja, você já está acima dele.
Essa regra vale para tudo: trading, esporte, vida. Campeões de verdade se apoiam. Com Rodolphe, meu parceiro há 20 anos, quando ele vence fico feliz, quando eu venço ele fica feliz. Não há competição insalubre.
O exemplo de Clara Burel: inspiração francesa
Penso em Clara Burel, que está na semifinal de Roland Garros. O "ruído" ao redor dela é igual ao que todos vivemos: "já é um feito", "de 300ª a 60ª do mundo", "aproveite as quartas!".
Mas não! O objetivo dela não é parar ali. Vai até o fim, tranquila, sem saber onde vai chegar. Esse é o espírito certo: foco em si, no que tem que fazer, sem ligar para o ruído externo.
Níveis técnicos a monitorar hoje
Oportunidades de trading que antecipo
Se surgirem inversões de polaridade nos índices americanos, especialmente no Dow Jones abaixo dos 42.350 pontos, isso me interessaria para vendas.
O Nikkei por enquanto está mais difícil de operar. Tentei semana passada, sai zerado. Não é o ativo mais óbvio agora.
Monitoramento de moedas
O rendimento dos títulos americanos de 10 anos caiu de novo abaixo de 4%, o que alivia um pouco a pressão em ações. Sigo monitorando euro/dólar na zona de venda, mas não faço novas entradas por hora.
Princípios fundamentais: o que você pode controlar
Minha filosofia de controle no trading
Concluo com um princípio fundamental que aplico todos os dias: você não pode controlar o mercado, mas pode controlar sua disciplina.
Você nem sempre escolhe o timing perfeito, mas sempre pode escolher estar presente. Isso é o mais importante, e o que você constrói hoje, mesmo que ainda não apareça, vai te levar além do que imagina.
Uma frase que me guia
Gosto de uma frase: "Nunca vamos tão longe quanto quando não sabemos para onde estamos indo". É exatamente o que diz Clara Burel: não sabe se vai parar na semi, na final, ou se vai ganhar, apenas foca em fazer seu trabalho.
No mercado é o mesmo. Foque no processo, no trabalho, na disciplina. O resto vem.
Conclusão: disciplina e perspectiva de longo prazo
Hoje sigo atento aos níveis técnicos identificados, acompanho a decisão do BCE e especialmente o discurso de Lagarde, e mantenho estratégia seletiva em ouro e criptos fortes.
Minha filosofia se mantém: seja constante, assuma seus planos, afie suas lâminas e avance. O ruído externo não pode te tirar do foco.
Posições atuais:
- Ouro: continuo comprado
- Criptos: 60% da posição em criptos fortes (ETH, AVAX)
- Tesla: aguardando os US$450 para reduzir mais
- Índices: vigilância para reversões, nada de compras agora
Força e honra nesta quinta-feira, 5 de junho!
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