Ouinex citado na Forbes: a corrida rumo ao aplicativo financeiro tudo-em-um começou
Em dezembro de 2025, em um palco em San Francisco, Brian Armstrong, CEO da Coinbase, anunciava o que passou a chamar de “The Everything Exchange”.
A plataforma historicamente associada ao Bitcoin já não se limitava ao trading de criptoativos. Ações, mercados preditivos, derivativos, aconselhamento financeiro baseado em IA e empréstimos lastreados em criptoativos passaram a estar disponíveis em um único aplicativo.
“A Coinbase não é mais apenas um lugar para negociar criptomoedas”, declarou Armstrong.
“É um lugar onde se pode negociar tudo.”
A poucos quilômetros dali, a Robinhood contava uma história semelhante. Os prediction markets, contratos que permitem apostar em eleições, eventos esportivos ou dados macroeconômicos, tornaram-se o produto de crescimento mais rápido da plataforma, alcançando 100 milhões de dólares em receita anualizada em menos de um ano. Seu CEO, Vlad Tenev, já os descreve como “uma das maiores classes de ativos potenciais das finanças modernas”.
Enquanto isso, em Paris, uma equipe de ex-executivos da FXCM estava construindo a Ouinex, uma plataforma concebida para permitir que traders de cripto tenham acesso ao forex, às commodities e aos índices bursáteis sem jamais sair do ecossistema cripto.
“A experiência do usuário é totalmente fragmentada”, explica Ilies Larbi, fundador da Ouinex.
“Os traders de cripto não têm acesso ao ouro ou às ações, e o mundo dos CFDs permanece completamente separado.”
Uma coisa é clara. Todo o setor fintech parece convergir para um mesmo objetivo: o aplicativo financeiro tudo-em-um.
As fronteiras entre produtos financeiros antes distintos estão desaparecendo. O que antes eram plataformas especializadas — Robinhood para ações, Coinbase para cripto, PayPal para pagamentos, Revolut para banca internacional — estão se transformando em superapps capazes de gerenciar trading, poupança, stablecoins, derivativos e até apostas financeiras.
O anúncio da Coinbase em dezembro de 2025 cristalizou essa tendência. A plataforma detém hoje mais de 500 bilhões de dólares em ativos cripto, um número multiplicado por cinco em três anos. Mas a ambição vai muito além das criptomoedas. Ações compradas via USDC, mercados preditivos em parceria com a Kalshi, empréstimos lastreados em Bitcoin e Ethereum e, em breve, consultores financeiros impulsionados por IA.
A Robinhood, por sua vez, avança com a mesma velocidade. Com 1,3 bilhão de dólares em receita no terceiro trimestre de 2025, a plataforma dobrou seus resultados em relação ao ano anterior. Ela agora oferece acesso a empresas privadas por meio da Robinhood Ventures e pretende gerar mais de 50% de sua receita fora dos Estados Unidos dentro de dez anos. Os ativos sob custódia já ultrapassam 333 bilhões de dólares.
O mesmo padrão se repete em todos os lugares. O PayPal lançou sua própria stablecoin. O Cash App combina pagamentos, Bitcoin e ações. O Public une cripto e mercados tradicionais.
Pontos de partida diferentes, um destino idêntico.
O que torna essa convergência possível? Aquilo que Devin Finzer, CEO da OpenSea, chama de tokenização de tudo.
A tokenização, ou seja, representar a propriedade de um ativo na forma de um token em uma blockchain, elimina restrições históricas. Horários de mercado, fronteiras geográficas, fricções de liquidação. Ativos tokenizados podem ser negociados 24 horas por dia, liquidados em minutos e circular sem atrito.
A Coinbase já fala sobre a tokenização do setor imobiliário e de participações em empresas privadas. A Robinhood oferece mais de 400 ações tokenizadas na Europa. A infraestrutura cripto está se tornando, pouco a pouco, a infraestrutura financeira universal.
Mas a convergência funciona nos dois sentidos. As plataformas cripto adicionam ativos tradicionais, enquanto as finanças tradicionais integram as criptomoedas sem necessariamente adotar a blockchain como infraestrutura central. Na Ouinex, a execução se apoia em infraestruturas profissionais de forex, concebidas прежде de tudo para servir aos traders.
Por trás dessa corrida rumo ao tudo-em-um, a lógica econômica é simples. O custo de aquisição de clientes dispara. Uma plataforma de produto único precisa gastar cada vez mais para atrair usuários, que irão embora assim que surgir uma alternativa mais completa.
Os superapps resolvem esse problema. Um usuário que negocia, poupa, investe e utiliza derivativos dentro de um mesmo ecossistema é muito mais fiel. Cada novo produto reforça o valor do conjunto.
Se todos oferecem os mesmos produtos, como se diferenciar? A resposta já não é apenas tecnológica.
A Coinbase se posiciona como a plataforma regulada e institucional. A Robinhood aposta na simplicidade e na democratização. A Revolut joga a carta europeia. A Ouinex reivindica uma abordagem centrada na execução, na transparência e no alinhamento com os traders.
À medida que as funcionalidades convergem, a diferenciação passa a se dar pela cultura, pela marca e pela filosofia de produto. Os aplicativos financeiros se assemelham cada vez mais a clubes. Os usuários permanecem tanto por identidade quanto por funcionalidade.
Para os usuários, as implicações são claras. Os mercados preditivos chegam às plataformas tradicionais, a fronteira entre investimento e especulação continua a se dissolver, e o acesso aos mercados se torna cada vez mais fluido.
Para as plataformas, a corrida está lançada. Como resume Ilies Larbi:
“É preciso fazer tudo, rápido. O tempo joga contra nós.”
O aplicativo financeiro universal já não é uma visão.
Já é o campo de batalha.